De acordo com o estudo, apenas 3,6% das vagas que deveriam ser reservadas para deficientes fo ram preenchidas no estado. Le van do em consideração os registros de contratações por ação fiscal do Ministério do Trabalho, São Paulo é o estado que mais se destaca: o índice de cumprimento da lei é de 39,7%. Na outra ponta, Paraíba e Roraima ocuparam so men te 3% das vagas reservadas.
As violações à lei ocorrem mesmo com a possibilidade de as em presas serem multadas – o valor pode chegar a R$ 67 mil. O principal motivo, na opinião de Carlos Aparício Clemente, coordenador do Espaço da Cidadania e autor de sete livros sobre inclusão de pessoas com deficiência no mercado de tra balho, é o preconceito dos em presários e dos colegas de empresa. Mauro Vicenzo Claudio Nardini, pre sidente da Associação dos Defi cientes Físicos do Paraná (ADFP), concorda que há necessidade de maior conscientização dos empregadores. “Falta compromisso. Mui tos empresários dizem que en quan to não forem procurados pe lo Ministério Público do Trabalho, não contratarão deficientes”, diz.
Mas há exceções. Robson Go mes Borbela, 25 anos, e Sueli Antu nes, 37, são portadores de deficiência mental leve. Eles e mais 70 funcionários com algum tipo de deficiência fazem parte do quadro de fun cionários de uma rede de supermercados de Curitiba. Com o salário de empacotado res, eles ajudam a família, recebem elogios dos colegas de trabalho e dos clientes. Sem sofrer qualquer ti po de preconceito, eles gostam do que fazem. “Eu trabalho aqui há 13 anos, adoro, é muito bom”, diz Sueli.
Há 15 anos, o Super Festval man tém um programa de contratação de pessoas com deficiência. De acordo com a psicóloga do De par tamento de Recursos Hu ma nos da empresa, Tânia Regina Cor deiro, ele começou não por cau sa da lei, mas inspirado em programas semelhantes desenvolvidos no exterior. “O trabalho começou com o objetivo de aproximar a sociedade dos portadores de necessidades especiais.”
Segundo a psicóloga, o su per mer cado conta com a parceria de vá rias escolas de educação es pe cial, que encaminham os alunos. “Eles começam co mo empacotadores; mas os que se destacam são promovidos pa ra ou tras funções. Teve um que começou como em pacotador e ho je é líder do setor de hortifrutigranjeiros”, conta. Se gun do Tânia, os salários, treinamentos, benefícios e sanções são iguais aos demais colaboradores que tenham o mesmo cargo.
Na opinião da consultora de em preendimentos sociais e administradora de empresas Andrea Goldschmidt, dependendo da função, não existe nenhuma diferença entre o trabalho desenvolvido por uma pessoa com ou sem defici ên cia. “Eu já vi experiências bem le gais em todas as áreas e com to dos os tipos de deficientes. Mas é pre ci so que a empresa faça um ma pe a mento de atividades, para descobrir que tipo de deficiência se adapta melhor para a função, qual atividade limita menos a pessoa, etc. Na função correta, o de fi ciente tem o mesmo, ou melhor, desempenho que um funcionário qualquer”, ex plica. De acordo com da dos do MTE, dos 240,4 mil cargos ocu pa dos por pessoas com deficiên cia no Bra sil, 50,8% são pessoas com deficiência física; 28,2%, auditiva; 2,9%, visual; 2,4%, mental ou intelectual; 1,7%, múltipla e 14%, reabilitados.
(Fonte: Gazeta do Povo, 25/08/2010)
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